Evento realizado pela Viva Zona Oeste apresentou diagnóstico inédito sobre acesso às políticas públicas de cultura e homenageou iniciativas que fortalecem os territórios da Zona Oeste e Sudoeste do Rio
Representantes do poder público, pesquisadores, produtores culturais, artistas, coletivos e agentes culturais da Zona Oeste e Sudoeste do Rio de Janeiro participaram, no último domingo (31), da primeira edição do Prêmio VZO e do lançamento oficial da publicação II Escuta Zona Oeste – Diagnóstico de Fomento e Participação Cultural da AP-4 2024-2025, iniciativa realizada pela Viva Zona Oeste.
Realizado no Dia Nacional de Luta por Políticas Públicas com Participação Popular e Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais, o encontro promoveu a apresentação de dados inéditos sobre a cultura na AP-4, além do reconhecimento de pessoas, iniciativas e instituições que contribuem para o fortalecimento da produção cultural e da participação social nos territórios.
A cerimônia foi conduzida por Fernanda Rocha, coordenadora geral e fundadora da Viva Zona Oeste, que destacou a importância da produção de conhecimento sobre os territórios como ferramenta para a construção de políticas públicas mais conectadas às realidades locais.
“Os dados são instrumentos de compreensão do presente e de construção do futuro. Eles produzem memória, revelam desigualdades, expõem ausências e ajudam a construir possibilidades de incidência em políticas públicas, programas e ações concretas”, afirmou.
Um dos momentos centrais da programação foi a apresentação dos resultados da II Escuta Zona Oeste, conduzida pelos pesquisadores Bruno Souza e Marcelle Azêvedo. Durante o encontro, eles compartilharam a metodologia participativa utilizada na construção do diagnóstico e apresentaram os principais resultados do levantamento, desenvolvido a partir da escuta de trabalhadores da cultura, produtores culturais, coletivos, artistas e iniciativas atuantes na região.
A pesquisa reúne informações sobre acesso a editais, leis de incentivo, participação social, circulação de recursos e desafios enfrentados por agentes culturais de bairros como Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Jacarepaguá, Cidade de Deus, Taquara, Praça Seca, Freguesia, Pechincha, Camorim, Curicica, Vargens e adjacências.
Entre os dados apresentados, o estudo aponta que mais de 67% das iniciativas culturais da região são financiadas pelos próprios trabalhadores da cultura, evidenciando tanto a potência criativa dos territórios quanto as dificuldades históricas de acesso aos mecanismos públicos de financiamento e fomento.
Além da apresentação da pesquisa, o evento marcou a realização da primeira edição do Prêmio VZO, criado para reconhecer trajetórias, iniciativas e contribuições relevantes para o desenvolvimento cultural da Zona Oeste e Sudoeste do Rio de Janeiro.
A premiação foi organizada em três categorias: Gestão Pública, Viva Zona Oeste e Território, destacando diferentes formas de atuação em prol da cultura, da participação cidadã e da garantia dos direitos culturais.
Segundo Vinicius Longo, coordenador e fundador da Viva Zona Oeste, a pesquisa e a premiação representam ferramentas complementares para fortalecer o ecossistema cultural da região.
“A II Escuta Zona Oeste nos ajuda a compreender os desafios enfrentados por quem produz cultura nos territórios, enquanto o Prêmio VZO reconhece pessoas e iniciativas que mantêm essa rede viva, articulada e em movimento. Valorizar esses atores é também fortalecer a construção de políticas públicas mais democráticas e conectadas às realidades locais”, destacou.
A publicação da II Escuta Zona Oeste consolida um dos mais abrangentes diagnósticos recentes sobre cultura na AP-4 e busca contribuir para o aprimoramento das políticas públicas voltadas aos territórios da Zona Oeste e Sudoeste do Rio, fortalecendo o debate sobre participação social, democratização do acesso aos recursos e desenvolvimento cultural.
Sobre a Viva Zona Oeste
Há 19 anos, a Viva Zona Oeste atua na promoção das culturas, memórias e identidades dos territórios da Zona Oeste do Rio de Janeiro, realizando feiras culturais, escutas territoriais, ações comunitárias e iniciativas voltadas à democratização do acesso à cultura e à garantia dos direitos culturais.